Alimentação Intuitiva (Parte 3)


A Alimentação Intuitiva foi definida pelas nutricionistas americanas Evelyn Tribole e Elyse Resch como uma alternativa ao modelo nutricional tradicional de prescrição de dietas.

Alimentar-se de forma intuitiva é redescobrir o prazer em comer, é saber ouvir seu corpo, decifrar os sinais que ele manda e respeitá-los sem julgamentos. A ideia é se livrar de pensamentos obsessivos ou dicotômicos a respeito de comida e de flutuações constantes de peso (efeito sanfona), criando assim uma relação saudável e pacífica com a alimentação e o próprio corpo. A perda de peso é deixada em segundo plano, não sendo o foco do processo, mas podendo ocorrer se necessário como consequência, uma vez que muitas vezes a razão do seu excesso está relacionada às questões trabalhadas.


Os 10 Princípios da Alimentação Intuitiva são:

  1. Rejeite a mentalidade de dieta

  2. Honre sua fome

  3. Faça as pazes com a comida

  4. Desafie o policial alimentar

  5. Sinta sua saciedade

  6. Descubra o fator satisfação

  7. Lide com suas emoções sem usar a comida

  8. Respeite seu corpo

  9. Exercite-se e sinta a diferença

  10. Honre sua saúde com nutrição gentil

Os princípios 1, 2 e 3 foram abordados AQUI e os princípios 4, 5 e 6 foram abordados AQUI.

Hoje vou falar sobre os Princípios 7, 8, 9 e 10:


7. Lide com as emoções sem usar a comida

Comida está inevitavelmente associada a um valor emocional. Comida é amor, prazer, conforto, recompensa, celebração, e muitas vezes uma amiga com quem podemos contar. O “comer emocional” pode ser parte de uma alimentação saudável se consciente, ocasional e acompanhado de observação da saciedade, sem culpa.

No entanto, passa a ser disfuncional quando é feito sem atenção e sem a percepção de que a comida está sendo utilizada para lidar com as emoções. Isso pode levar a um consumo exagerado e consequentes desconforto e sentimento de culpa. Também pode ser considerado um comportamento destrutivo se comida é a única forma que vem em mente para lidar com emoções negativas, pois nos impede de olhar para dentro e investigar a verdadeira causa da emoção e a melhor forma de lidar com ela.

Quando nos encontramos fisicamente saciados e mesmo assim continuamos a comer, devemos nos perguntar qual outra necessidade estamos tentando suprir. Pode ser que a comida esteja sendo utilizada para lidar com sentimentos de tédio, frustração, raiva, solidão, stress, ansiedade, depressão ou como uma forma de suborno, recompensa, procrastinação, calmante, sedação, fazer parte de um grupo, distração. Identificar o sentimento é importante e também qual a real necessidade para o momento que não seja usar comida: buscar conforto em outras atividades, lidar com os sentimentos ou encontrar uma distração diferente. Talvez seja melhor descansar, dar um passeio, tirar um tempo para si mesmo, conversar com um amigo, fazer terapia, buscar estímulos intelectuais e criativos, receber um carinho ou apenas permitir-se sentir as emoções.


8. Respeite seu corpo

Respeitar o próprio corpo pelo que ele realmente é, independente do peso ou tamanho. Esta pode não ser uma tarefa fácil dentro do contexto cultural e social em que vivemos, de valorização da magreza e das aparências, mas respeitar não significa que de uma hora para outra você vai passar a amar seu corpo, e sim passar a trata-lo com dignidade, deixa-lo confortável a provê-lo de suas necessidades básicas.

Algumas maneiras de respeitar o corpo são:

- Parar de comparar-se com outras pessoas;

- Aceitar que seu corpo é adequado para qualquer situação ou evento importante;

- Focar nas partes de seu corpo que você aprecia e nas coisas incríveis que seu corpo lhe permite fazer todos os dias ao invés de fazer comentários depreciativos a respeito do si mesmo e de sua imagem.

- Abandonar o hábito de se pesar constantemente.

- Aceitar que existe um fator genético que pré-determina nosso biótipo e que existe uma diversidade imensa de corpos.

- Praticar o autocuidado: tomar um banho relaxante, fazer massagem, usar roupas confortáveis, usar cremes cheirosos para cuidar da pele com carinho, abraçar pessoas queridas, etc.

- Compreender e respeitar o fato de que estar acima do seu peso natural pode ser uma consequência de sua história de vida, muitas vezes envolvendo um comer emocional e sendo vítima da mentalidade de dieta. Quando passamos a escutar os nossos sinais internos e nossa intuição e praticamos autocuidado, nosso corpo geralmente migra para seu peso natural.


9. Exercite-se e sinta a diferença

A ideia é fazer atividade física porque traz bem-estar e não porque é necessária para perder peso. É uma forma de cuidar de si mesmo, de gerar diversas sensações positivas e de trazer diversão, além de promover benefícios para a saúde a longo prazo. Existem muitos tipos de atividade física e vale lembrar que nosso corpo precisa mesmo é de movimento, então atividades como subir escadas ao invés de pegar o elevador e caminhar ao invés de andar de carro também contam.

Para que o exercício seja prazeroso, é fundamental garantir ao corpo energia suficiente, proveniente de carboidratos, e é necessário respeitar a necessidade de descanso. Quando acontece associado a mentalidade de dieta, exercício geralmente leva a frustração por não trazer prazer, não gerar resultados rápidos e aumentar a ocorrência de lesões.


10. Honre sua saúde com nutrição gentil

É importante consumir alimentos de todos os grupos alimentares e fornecer ao nosso metabolismo todos os nutrientes que ele precisa para executar suas funções e manter nosso corpo saudável. Nenhuma restrição de nutriente é recomendada, pois pode prejudicar o corpo de diferentes maneiras.

Variedade, moderação e equilíbrio são os princípios da sabedoria alimentar. Não há necessidade de ser perfeito para ser saudável, nesse sentido é muito melhor buscar progresso do que perfeição. A maioria das escolhas alimentares devem ser baseadas na saúde, mas tudo bem se algumas delas forem por outros motivos, e não devemos em nenhum momento desconsiderar o fator satisfação e o prazer em comer.

Honrar a saúde com uma nutrição equilibrada é essencial, porém é tão importante quanto ter uma boa relação com a comida e saber escutar o que nosso corpo está nos dizendo. Ninguém, a não ser nós mesmos, sabemos como nos sentimos, tanto emocional quanto fisicamente e por isso apenas nós podemos ser o especialista do nosso próprio corpo.


FONTE: "Intuitive Eating - A revolutionary program that works" - Evelyn Tribole e Elyse Resch - Editora St Martin's Griffin - New York, 2012



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